domingo, 24 de agosto de 2014

A sombra de um carinho.


Já te encontrei mais de mil vezes.
E te perdi de mil formas diferentes.
Fazendo parecerem os sonhos com você sempre tão distantes.
Que só em minha mente, te tenho por poucos instantes.

A cada vez que me procuro num rastro do seu olhar.
Não canso de me perguntar.
Por que só eu não consigo entrar.
Antes dessa porta se fechar.

Será por que você já aceitou a solidão?
Será que já tem um dono seu coração?
Será que você me nota na multidão?
Ou você nem se quer toca minha sombra no chão?

Dizem que até mesmo os cometas.
Um dia encontram suas estelas.
Mas pelo jeito nem minhas palavras.
Conseguirão uma brecha nos teus dias.


Autor: Alberto Correa de Matos

domingo, 10 de agosto de 2014

Conversar com borboletas.



Tenho ciúmes dessas borboletas.
Que de tão pequenas.
Podem adormecer sobre as roseiras.
Assim deve ser tão simples sonhar sobre elas.

Ter somente o sol pra cobrar.
Que quando o inverno chegar.
Se existirem ainda motivos pra continuar.
Não ter de quem recordar.

Poder voar com os beija flores.
Sem se preocupar com as dores.
Que o mundo reserva aos seus atores.
Que la  embaixo iludem  seus amores.

Queria por um dia saber.
Como é assistir uma nuvem nascer.
Tocar ela antes do amanhecer.
E no badalar da meia noite desaparecer.

Autor:Alberto Correa de Matos


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Rótulo da felicidade.



Sinto o frio das paredes.
Que invade os corredores.
Acariciando as sombras todas as noites.
Em que divido minha solidão com os cobertores.

Iludo-me ter algum valor.
Sonhador.
Minto diante de o espelho ser um grande vencedor.
Mas o reflexo não esconde que sou um perdedor.

Perdi a coragem de lutar por mais um amor.
Perdi a coragem de lutar contra a dor.
Perdi a vontade de sair desse corredor.
Que me transformou em só mais um enfeite sem cor.

Não direi que conheço a vida.
Pois estou preso a uma poesia desconhecida.
Mais uma página esquecida.
Que esmagada pelos teus pés passara despercebida.


Autor: Alberto Correa de Matos