segunda-feira, 20 de março de 2017

Cinza como meus olhos.



Despetalando pétala por pétala, meu amor.
Antes de me tocar o inverno chegou a dor.
E pouco a pouco foi apagando de dentro de mim a flor.
Que até poucos dias acolhia meu beija-flor.

Era tão bom ter aquele sorriso leve.
De quem me aquecia enquanto caia a neve.
E eu ainda podia acreditar que toda minha solidão seria breve.

O espelho me mostra a força do tempo sobre meus cabelos brancos.
Nas cicatrizes que carrego no meu sorriso com as marcas dos meus erros.
A água do chuveiro disfarça as lágrimas de meus sonhos despedaçados.
Que escorrem pelo ralo frenéticos e silenciosos como todos meus desenganos.

Enquanto vão se passando os anos.
Mudando os caminhos.
E até mesmo os outros destinos.
Somente os meus passos continuam sozinhos.

E no meio de tantos versos bagunçados.
Depressivos.
Esquecidos.
Gritos.
Ignorados.
Olhos.
Silenciosos.
Sigo vagando sob os mesmos tons cinzentos.
Do céu colorido dos outros sorrisos felizes enamorados.


Autor: Alberto Correa de Matos

sábado, 11 de março de 2017

Manchete

Quais são suas intenções?
Em deixar somente a mostra nossas cicatrizes.
Tantos rostos desconhecidos sem nomes.
Que ainda restam de outros amores.

Por que não nos vestimos com nossas feridas?
Enfeitamos nossas bocas com mentiras.
E afogamos nossas vidas recheadas de ironias.
Na correnteza das nossas salivas.

Vamos dividir nosso pão com os ratos?
Agradecer pelo ódio dos nossos inimigos.
Aplaudir o sucesso dos nossos invejosos.
Distribuir na boca de quem nos detesta nossos beijos.

Vamos juntar nossas indiferenças?
Transformar nossa monotonia em alianças.
Dividir nossas dores em bodas de promessas.
Anunciando em todos jornais os rumos da desgraça das nossas vidas.

Vamos fingir que ligamos para essas opiniões?
Vamos atuar no circo das nossas discussões.
Para todos acreditarem que nossas decepções.
São céticas como nossas religiões.

Vamos fazer um show e brincar de cantar?
Vomitar um blues para quem quer nos ver chorar.
Suspirar um rock para quem quer nos separar.
Sangrar qualquer melodia antes da solidão nos alcançar.


Autor: Alberto Correa de Matos

sábado, 4 de março de 2017

Se existem anjos ....

Se existem anjos ....

Se meus conselhos.
Fossem cegos.
Talvez não chegassem a teus ouvidos.
Sínicos.

Se meus olhos.
Revelassem meus desejos.
Talvez não chegassem a seus lábios.
Sorrisos.

Se meus lábios.
Não desejassem seus beijos.
Talvez não projetassem nossos caminhos.
Unidos.


Se meus sonhos.
Tivessem tantos tesouros.
Quanto existe amor nos teus braços...


Autor: Alberto Correa de Matos