segunda-feira, 20 de março de 2017

Cinza como meus olhos.



Despetalando pétala por pétala, meu amor.
Antes de me tocar o inverno chegou a dor.
E pouco a pouco foi apagando de dentro de mim a flor.
Que até poucos dias acolhia meu beija-flor.

Era tão bom ter aquele sorriso leve.
De quem me aquecia enquanto caia a neve.
E eu ainda podia acreditar que toda minha solidão seria breve.

O espelho me mostra a força do tempo sobre meus cabelos brancos.
Nas cicatrizes que carrego no meu sorriso com as marcas dos meus erros.
A água do chuveiro disfarça as lágrimas de meus sonhos despedaçados.
Que escorrem pelo ralo frenéticos e silenciosos como todos meus desenganos.

Enquanto vão se passando os anos.
Mudando os caminhos.
E até mesmo os outros destinos.
Somente os meus passos continuam sozinhos.

E no meio de tantos versos bagunçados.
Depressivos.
Esquecidos.
Gritos.
Ignorados.
Olhos.
Silenciosos.
Sigo vagando sob os mesmos tons cinzentos.
Do céu colorido dos outros sorrisos felizes enamorados.


Autor: Alberto Correa de Matos

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