sexta-feira, 21 de abril de 2017

Lírios também sentem.



Preciso de uma cura para essa alergia.
Que tenho de sentir alegria.
Uma mania cinzenta de todo dia.
Abraçar a minha monotonia.

O tempo é quem me seduziu com sua melancolia.
 Naquele sorriso daquela menina que partia.
Sem nunca ter se importado com como eu me sentiria.
Apenas mentia, jurava e me iludia.

A vida é quem me desenhava.
 Nas flores mortas nas mãos do homem que descansava.
Enquanto suas lágrimas divertiam quem passava.
Fingindo acreditar que com ele em algum lugar alguém se preocupava.

Vida e tempo que me condenaram.
Pelas escolhas que me diminuíram.
Diante das pessoas que me subestimaram.
 E que diante do meu silêncio venceram.
Sumiram.


Afinal somos todos como um dente-de-leão sem vida sobre o campo.
Uma leve brisa de má sorte diante do tempo.


Autor: Alberto Correa de Matos

domingo, 16 de abril de 2017

Rede radio magazine



Aonde foram parar as crianças?
Que hoje em dia não empinam mais pipas.
Pois estão na custodia de suas celas.
Brincando de serem inocentes em suas camas.

Aonde foram parar as verdadeiras damas?
Que se faziam respeitar na capa de suas revistas.
Trazendo o fogo de suas almas.
Na força de suas palavras e lutas.

  Aonde foi parar a honestidade?
Dos homens e mulheres da cidade.
Que não tinham medo de sentir saudade.
E não condenavam as pessoas baseados em sua própria maldade.

Procurei uma explicação.
Encontrei apenas uma ilusão.
Fruto da minha imaginação.
Característica de um homem que aprendeu a ter fé com a televisão.


Autor: Alberto Correa de Matos

quinta-feira, 13 de abril de 2017

As Trevas que escondem meus olhos.


Fecho os meus olhos.
Para lembrar dos teus sorrisos.
Mas acabo me perdendo por cantos escuros.
Aonde ainda resistem alguns sentimentos.

Parece que construíram muros.
Aonde existiam sonhos.
Como se fossem obstáculos.
Tomando conta dos meus caminhos.

Assim vou me perdendo dos teus braços.
Sendo tragado pelos anjos caídos.
Que se alimentam dos meus fracassos.
E devoram meu coração em pedaços.

A cada novo amor fracassado.
A cada novo amigo perdido.
A cada nova dor que vai surgindo.
Me pergunto quando vão brotar as flores que haviam me prometido?


Autor : Alberto Correa de Matos

terça-feira, 11 de abril de 2017

Flores de Outono



Sabia que as folhas no jardim já secaram?
Mas as flores que cultivamos ainda não murcharam.
Diferente das minhas chances que diante do tempo se esgotaram.
E nem se despediram, apenas partiram.

Se eu tivesse ainda sua sombra para abraçar.
Será que isso nos ajudaria a ressuscitar?
Um pouco daquele encanto que me permitia sonhar.
E ter um pouco de alegria no meu olhar.

Será que quando a última luz apagou.
No seu último suspiro, seu amor me procurou?
Talvez a gente tenha se desencontrado juntando o que sobrou.
Quando você desapareceu e não me avisou.

Eu sei o tempo e a morte não sabem esperar.
Talvez por isso seja você que venha um dia me buscar?
Quando eu começar a desbotar.
Fechando meus olhos para nunca mais acordar.


Autor: Alberto Correa de Matos