domingo, 10 de dezembro de 2017

O deserto do condor.

O sentido árido do meu coração.
É uma profunda reflexão.
Da minha transformação.
De poeira em constelação.


Uma aflita lamentação.
Ardente como estrelas em transmutação.
Se esfarelando pelo chão.
Obscurecido pela noite e sua imensidão.
Sem nenhuma direção.

O deserto de minha alma.
Ascende da lama.
Uma luz que me carrega da cama.
Para as trevas da solidão...com sublime calma.

Afago assim meu universo interior.
Retribuindo a vida que acontece em meu exterior.
Todo o amor.
Que couberem nas minhas asas de condor.

Autor: Alberto Correa de Matos

domingo, 3 de dezembro de 2017

Confidencias ?




Uma estrela guarda os meus segredos.
Mais obscuros, sob seus olhos negros.
Enquanto afino os meus sentimentos.
Para tocarem no ritmo dos seus contrabaixos.

Ela esboçava num solo de guitarras.
Toda as minhas dúvidas.
Que jamais seriam respondidas.
Se não fosse pelo ritmo frenético das baquetas.
Que correspondiam a todas minhas fantasias.

Demos uma parada nos ensaios e no tempo.
Para roubar memórias com as flores no campo.
 Enquanto eu voltava a ser o mesmo sapo.
Que filosofava sobre o amor por você num guardanapo.


Estávamos esperando o sol voltar.
Para novamente nos separar.
Cantávamos sobre aonde queríamos estar.
Quando em outro anoitecer voltássemos a nos encontrar.


Autor: Alberto Correa de Matos

Fórmula do Matrix



Lembra como eu costumava acreditar.
Que tudo ao nosso redor poderia mudar.
Se você me levasse pra longe desse lugar.
Antes do relógio nos capturar.


Rostos cansados, marchando famintos.
Em direção ao banquete dos restos.
De seus donos engravatados.
Que determinam até onde chegam seus sonhos.

Enquanto desesperadamente fugíamos.
Antes de sentirem falta de nossos números.
Nas fileiras dos sentinelas defeituosos.
Antes de terminarem nossos intervalos.

Mas como não fomos programados.
Para nos sentirmos livres como os escravos.
Voltamos para nossos postos.
Acreditando que tínhamos sido descobertos.


Mas a realidade é que nunca fomos notados.
E que nossos lamentos.
Eram apenas erros nos roteiros.
Que nossos programadores consideraram ultrapassados.

E que de nossas rotinas foram sendo deletados.
Até voltarmos a encarar nossos pesadelos.
Como se fossem uma parte de nossos sorrisos.
Amarelados.



Autor: Alberto Correa de Matos