domingo, 3 de dezembro de 2017

Fórmula do Matrix



Lembra como eu costumava acreditar.
Que tudo ao nosso redor poderia mudar.
Se você me levasse pra longe desse lugar.
Antes do relógio nos capturar.


Rostos cansados, marchando famintos.
Em direção ao banquete dos restos.
De seus donos engravatados.
Que determinam até onde chegam seus sonhos.

Enquanto desesperadamente fugíamos.
Antes de sentirem falta de nossos números.
Nas fileiras dos sentinelas defeituosos.
Antes de terminarem nossos intervalos.

Mas como não fomos programados.
Para nos sentirmos livres como os escravos.
Voltamos para nossos postos.
Acreditando que tínhamos sido descobertos.


Mas a realidade é que nunca fomos notados.
E que nossos lamentos.
Eram apenas erros nos roteiros.
Que nossos programadores consideraram ultrapassados.

E que de nossas rotinas foram sendo deletados.
Até voltarmos a encarar nossos pesadelos.
Como se fossem uma parte de nossos sorrisos.
Amarelados.



Autor: Alberto Correa de Matos

Nenhum comentário:

Postar um comentário