segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Chō no namida



As vezes acreditamos.
Que sobrevoamos.
Sobre os desfiladeiros.
Mais obscuros de nossos medos.

E com isso não percebemos.
O quanto nos enganamos.
Com falsos amigos.
Sorrisos vazios.
E olhos astutos.

Aterrissamos.
Sobre montes de espinhos.
E somos envenenados.
Por tantos preconceitos.
E ressentimentos.

Que pouco a pouco, sem sentirmos.
Descobrimos estarmos presos.
Nas teias de olhares irônicos.
Amassados por abraços cínicos.
Enquanto agonizamos.
Sozinhos.
Iludidos.
Rodeados de monumentos.
Que pouco a pouco vão sendo apagados.
Junto das luzes que iluminam os mais belos cemitérios.

Me sinto assim um vagabundo perdido entre estranhos.
Solidários.
E amigos desenganados.
Acompanhando pouco a pouco tudo perdendo suas cores e sentidos.

E eu novamente perdendo minhas asas para flagelos.
Que prenderão minha alma novamente a abismos.
Que jamais serão iluminados.
Aonde nunca mais encontrarei abrigo nos teus olhos.
Somente flores sobre os túmulos.

Autor:Alberto Correa de Matos

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