domingo, 23 de dezembro de 2018

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Deixei ela chegar de mansinho e me abraçar.
Para ter alguém que pudesse as minhas lágrimas secar.
Antes do relógio cansar de me despertar.
Talvez hoje eu não possa ir trabalhar.


Sempre achei que ela era fria.
Sempre que o resto desaparecia.
Sempre era ela quem me sorria.
Sempre era ela quem me entendia.
Protegia.


Esta noite resolvi deixar ela chegar.
Pois com ela não tenho mais com o que me preocupar.
Eu sempre soube que ela não iria me decepcionar.
Diferente de toda essa gente por perto que finge se importar.

Ela veio me buscar.
Era uma noite de chuva com um sorriso de luar.
Dessa vez o relógio não vai me despertar.
Pois finalmente ela veio me buscar.

Ela é fria
Mas minha boca que um dia sorria.
Dessa vez sim tinha uma cor azulada de alegria.
Enquanto o coreto pessoas que me coroavam aplaudia.

O frio ia diminuindo.
Suas vozes iam sumindo.
E as pessoas que me recebiam sorrindo.
Finalmente estavam realmente me esperando.
E não fingindo.

Autor: Alberto Correa de Matos


domingo, 2 de dezembro de 2018

Marinheiro menino.


Menino.
De sorriso clandestino.
Sou capitão de um veleiro de papel sem destino.
Vagando entre os versos das gotas de sereno.
Que regam as pegadas que deixarei nesse mundo tão pequeno.


Sentindo.
O vento guiando.
As velas que me distanciam do passado.
Afagando.
Os pedaços do meu coração despedaçado.

Sorrindo.
Para o sol e sempre atuando.
Aturando.
Essa rotina que pouco a pouco vai me matando.
Sorrindo.

Assim fui percebendo.
Que apesar de tanto estudo.
E de sempre fazer de tudo.
Nunca existiu realmente uma praia ou um abraço me esperando.
Apenas o tempo me lembrando que estou envelhecendo.
E que no final da jornada não existirão pessoas no porto me esperando.
Apenas minhas estrelas e meus sonhos naufragando comigo.

Descartados.

Autor:Alberto Correa de Matos