quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Piuzanato

                                                                         
Sinto que estou sangrando.
Enquanto os abutres estão me perseguindo.
Me arrasto pela estrada mas está chovendo.
E para eles não importa se estou sofrendo.
Pois logo seus estômagos estarão se fartando.
E eu continuarei fedendo.

Estou agonizando.
Enquanto o resto está vivendo.
Sou um grande fracassado.
Que vive sonhando.
Mas morre vivendo.
Sou um engodo.
Vegetando.

Sou sempre o culpado.
Sou sempre amado.
Mas nenhum sorriso se atreve a abrir o cadeado.
Pois parece que ninguém deseja estar a meu lado.
Afinal sou um desavisado.
Trouxa que vive iludido.
Acorrentado.
A uma rotina que esfrega na minha cara como sou fracassado.

Os abutres já me alcançaram.
E foram os únicos que me abraçaram.
Enquanto me devoravam.
E depois me vomitavam.
Autor: Alberto Correa de Matos

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Palavras inconvenientes

                             
As pessoas tem medo de existirem.
Mas não tem medo de te julgarem.
As pessoas tem medo de sofrerem.
Mas não tem medo de te magoarem.

As pessoas tem vergonha de sentirem.
Mas não tem receio nenhum em te desprezarem.
As pessoas não se preocupam quando te mentem.
Mas quando escutam sua opinião se ofendem.

As pessoas amam o que desejam.
Mas não valorizam o que ganham.
As pessoas apenas te suportam.
Por que as outras não as escutam.
De fato não se importam.

As pessoas e suas verdades estão sempre certas.
Afinal o ódio delas.
São lutas por melhorias.
Melhorias convenientes somente para suas vidas vazias.

Autor: Alberto Correa de Matos