quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Piuzanato

                                                                         
Sinto que estou sangrando.
Enquanto os abutres estão me perseguindo.
Me arrasto pela estrada mas está chovendo.
E para eles não importa se estou sofrendo.
Pois logo seus estômagos estarão se fartando.
E eu continuarei fedendo.

Estou agonizando.
Enquanto o resto está vivendo.
Sou um grande fracassado.
Que vive sonhando.
Mas morre vivendo.
Sou um engodo.
Vegetando.

Sou sempre o culpado.
Sou sempre amado.
Mas nenhum sorriso se atreve a abrir o cadeado.
Pois parece que ninguém deseja estar a meu lado.
Afinal sou um desavisado.
Trouxa que vive iludido.
Acorrentado.
A uma rotina que esfrega na minha cara como sou fracassado.

Os abutres já me alcançaram.
E foram os únicos que me abraçaram.
Enquanto me devoravam.
E depois me vomitavam.
Autor: Alberto Correa de Matos

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