quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Sal do Horizonte.

 



O sol nascente.

Que iluminava a ponte.

Sem um motivo aparente.

Sorria ardente.


Sem me perceber .

Contemplando a estrada ao amanhecer.

Tentando deixar de sofrer.

Por amores que insisto em vão renascer.


Rasgando a escuridão da madrugada.

Em que a lua se embriagava com meu peito em sabor de gargalhada.

Sangrando sobre a ponte meus versos de poesia desenganada.

Compartilhada.


O mais celeste dos desenganos

Secando a mais pura fonte de meus sentimentos.

Soluçando sozinho sem ninguém pra ouvir meus gritos.

Desesperados e solitários.


Não fui capaz de perceber.

Enquanto o sal escorria por meus lábios, amanhecer.

Sem você se importar em me entender.

Mas sentindo aos poucos assim como a madrugada te sentindo desaparecer.


Autor: Alberto Correa de Matos

Algemas de Algodão


Quanto tempo é necessário para se sonhar ?
Eu acreditava que poderia voar.
Que poderia amar.
Independe de existirem flores para me abençoar.
Viajar.

Mas primeiro o mundo conseguiu me acorrentar.
As pessoas e suas ilusões me aprisionar.
E as meias verdades delas me sufocar.
Amaldiçoar.

Eu sempre acreditei que poderia alcançar.
O infinito desse céu azul sem precisar me preocupar.
Se precisaria de asas para o tocar ou somente acreditar.
Voar!

Mas as flores preferem o chão.
O mundo viver mecanicamente sem coração.
As pessoas sua doce ilusão.
E eu coleciono somente a decepção.
Solidão.

Autor: Alberto Correa de Matos