domingo, 16 de junho de 2013

Estação

 Estão sob os pessegueiros.
Os segredos de nossos passos.
E sobre os trilhos os últimos momentos
Das freiras na porta dos conventos
Dos nossos abraços e juramentos.

Foi no ultimo apito do trem.
Que o tempo passou e não enxerguei mais ninguém.
Talvez por que não percebi nossas lembranças envelhecerem.
E as outras historias ao redor se acabarem também.

As paredes sem pinturas.
Os trilhos enferrujados e os candeeiros sem velas.
E nem percebi  esse  céu ficar sem estrelas.
Nem as casas perderem seus boêmios e serenatas.
Que enfeitaram as ruas
E conquistaram as moças em suas varandas.

Mas continuo aqui sentado.
Esperando confiante a mais de 40 anos.
Que o trem volte pra esses lados.
E a minha menina volte pra envelhecer do meu lado.


Autor: Alberto Correa de Matos.

sábado, 8 de junho de 2013

Porão


Por que fingir que não vejo as sombras.
Sob o véu das esmeraldas.
Que cobrem as estátuas que ladeiam as entradas.
Que oprimem as mentiras que trancaram as portas.

Por que deixei as joias.
Que um dia enfeitaram as janelas
Se perderem para as bocas das traças.
Que devoram os livros, mas não engolem as palavras.

Será que assim abrirei um dia a porta do porão?
E os ratos que ali habitam se revelarão.
Famintos e certamente se banquetearão.
Dos restos das memórias dessa separação.


Autor: Alberto Correa de Matos

sábado, 1 de junho de 2013

Algemas I



Desapareceu.
Um dia tudo que se construiu.
Nos moldes de um amor que desmereceu.
Ao fim de mais um inverno a que este coração sobreviveu.

Solidão.
Desdobra-se como um refrão.
De uma antiga canção.
Esquecida e maltratada na saudade dos olhos de alguma paixão.


Felicidade.
É um leque nas mãos de uma dama trajada de sinceridade.
Que se esconde por trás de uma carruagem de maldade.
Guiada por um cigano atormentado pela dor da sua triste realidade.

Cinzas.
Que se derramaram das minhas lagrimas
Que me cegaram pelas palavras.
Que um dia irão também me salvar do que resta destas algemas.


Autor: Alberto Correa de Matos