segunda-feira, 29 de maio de 2017

Jardim sem flores.



As rosas me partiram com seus espinhos.
Os cravos roubaram meus sonhos.
As tulipas murcharam diante dos meus olhos.
Enquanto as lavandas curvavam meus joelhos.

Minhas Sakuras despetalaram com o tempo.
Cobrindo os lírios na solidão dos meus passos.
Enquanto os ipês brindavam comigo meus desencontros.
As margaridas se despedaçavam em meus abraços.

As bromélias dividiam comigo suas ressacas.
Os copos de leite me transbordavam com suas queixas.
As orquídeas me iludiram com suas promessas.
E os dentes de leão devoraram e cuspiram minhas alegrias.

Plantei tantas flores.
Acreditando que assim surgiriam borboletas, que curariam minhas dores.
Mas ao invés disso apenas riram das minhas frustrações.
E hoje me tornei um jardim de parasitas sem cores ou amores.
Apenas ornamentando de sofrimentos e reclamações.
Um cemitério de paixões.


Autor: Alberto Correa de Matos

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Caboclinha


Aonde estão os verdes campos floridos.
Que encontrei a sombra dos teus olhos.
Quando as nuvens que cobriam meus sorrisos.
Foram afastadas de meus lábios pelos seus carinhos.

Aonde estão todas aquelas fortalezas.
Que se ergueram das suas palavras.
Enquanto me iludia com suas promessas.
De que um dia colecionaríamos juntos nossas primaveras.

Aonde estão as águias.
Que um dia nos guiaram para além das montanhas.
Por entre os vales de nossas expectativas.
Para nos abandonarem numa teia de mentiras.
Sobre as corredeiras de um rio de lágrimas.

Aonde perdi minha felicidade?
Aonde esconderam minha liberdade?
Aonde ficou meu sorriso de fim de tarde?
Aonde está se ainda existe minha outra metade?

Afinal se já te perdi por entre a mata verde.
Enquanto as tuas lembranças roubam minha juventude.
Vou bebendo da fonte que mata minha sede.
Saudade.


Autor: Alberto Correa de Matos

domingo, 14 de maio de 2017

Um brinde



Vou desfilando meu teatro pelo vale da morte.
Com um sorriso falso de quem vomita boa sorte.
Em cada rosto vazio e cada olhar distante.
Daqueles bonecos travestidos de gente.
Do qual nunca fiz parte.

A cada aperto de mão programado.
A cada abraço mendigado.
A cada bom dia amaldiçoado.
Minha vida se resume a um grito de socorro desesperado.
Abafado.

Não tenho mais esperanças.
Não acredito mais na inocência das crianças.
Nem que aquelas luzes amareladas acesas.
Do meu quarto vão me proteger das trevas.

Perdi o medo de enxugar minhas lagrimas.
E deixei de acreditar no brilho das estrelas.
Pois enquanto todos vivem seu conto de fadas.
Me perco na boca das traças.
 Que me consomem nas entrelinhas das tuas mentiras.
Lindas.

Autor: Alberto Correa de Matos

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A saudade e o colibri



Quantas folhas secas...
Quantas flores mortas...
Te procuro além das vidraças quebradas.
A milhas e milhas das nossas gargalhadas.

E essa saudade, surge como um sentimento.
Em que náufrago no meu peito.
Toda vez que chego perto.
Das lembranças que guardo junto da sua foto.

Quem diria que ficariam confinados.
Em um porta-retratos.
Todos nossos planos e sonhos.
Frustrados.

Quem sabe um dia você sinta minha falta.
Quem sabe um dia a vontade de me ver traz você de volta.
Quem sabe um dia sua saudade bate a minha porta.
Quem sabe até esse dia ela ainda esteja aberta.


Autor: Alberto Correa de Matos