sábado, 23 de fevereiro de 2019

Desabafo.





Sempre sou eu contra o mundo.
Incompreendido.
Sempre errado.
Sempre ignorado.

Sempre sou esquecido.
Descartado.
Sempre a sombra do lado.
Proibido de ser tocado.
Sempre sendo oprimido e sufocado.


Sempre estou perdido.
Apagado.
Por nunca ter aceitado.
Que merecia tudo pelo que havia chorado e sofrido.

Sempre estarei errado.
Por ter me preocupado.
Por ter sentido.
Existido.


Talvez eu devesse ter desaparecido.
Desbotado.
Como as cores das últimas primaveras que já haviam partido.
Desistido.



Autor: Alberto Correa de Matos


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Flores e folhas secas .


Flores e folhas secas .

As folhas secas.
São tão belas.
Quanto as flores coloridas.
Apenas não possuem o mesmo doce aroma das primaveras.

Ambas fazem parte de nossas vidas.
Porem as flores adornam janelas.
Já as folhas secas sujam as calçadas.
Com flores brindamos as alegrias.
Com Folhas secas enterramos nossas despedidas.

Para as flores: músicas e poemas.
Para as folhas secas: lutos e lágrimas.
Desdenhamos das folhas secas.
Mas esquecemos que são delas.
Que saem o alimento das raízes que tornam as flores tão coloridas.

Flores combinam com casamentos.
Folhas secas com amores platônicos.
Mas todas elas tornam meus versos.
Suaves e melancólicos.
Numa corda bamba entre sonhos e desejos.
Sejam eles inocentes e concretos.
Ou deprimentes e esquizofrênicos.

Mas enquanto admiro as flores pelo caminho.
Meu olhar transborda de folhas secas…sempre sozinho.


Autor: Alberto Correa de Matos

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estou aqui e você ?




Já abracei palavras.
Confusas.
Que vagavam desencontradas.
Por ruas e encruzilhadas.

Já afaguei promessas.
Mentiras.
Que se escondiam envergonhadas.
Debaixo de lábios, regados por lágrimas.

Já toquei alianças.
Enferrujadas.
Que já não guardavam mais belas lembranças.
Mas o que havia restado de antigas e novas despedidas.


Já curei pessoas.
Peçonhentas.
Que só precisavam ser compreendidas, amadas.
Mas jamais encontrei com um sorriso, que realmente aceita-se as minhas rosas.


Autor: Alberto Correa de Matos