sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Tropeiros



Primeiro surgiram às vacarias.
Que domaram nossas vidas.
Como promessas incertas.
Necessárias aos infames e suas verdades perdidas.

Arando os campos de cima desses caminhos.
Que as mulas e o peito serrano  abertos.
Pareciam entrincheirados e incertos.
Hoje resumidos as linhas de alguns livros.

O sentido daqueles feitos passados.
Cada vez mais pelo presente são apagados.
E nos museus do progresso esquecidos.
Senhores de marcos sem destinos vendidos.

Veja bem; não deixamos  tesouros aos nossos herdeiros.
Carregados de ferimentos e ressentimentos.
Apenas semeamos.
As flores nos horizontes de vossos destinos.


Autor: Alberto Correa de Matos

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Cemitérios



Tenho medo dos cemitérios.
Que condenam os nossos desejos.
E abraçam nossos monstros.
Escondidos em cada um de seus sorrisos.

Conheço cemitérios.
Que estão entre os lábios.
Dos que sofrem quietos.
Enquanto outros aplaudem seus medos.

Passeio pelos cemitérios.
Que não se velam os mortos.
Mas sonhos frustrados.
E onde glorificam os desgraçados.

Mas prefiro os cemitérios.
Aonde os preconceitos.
São esquecidos.
E os ignorantes amaldiçoados.


Autor:Alberto Correa de Matos

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Futuro fabricado.


As ruas adormecem vazias.
A lua não acompanha o ritmo das horas.
As estrelas não encontram poetas.
E as palavras não encontram novas senhoras.

Os anjos recolhem do chão.
Os restos dos filhos do  canhão.
Que a cada segundo tomam a nação.
Agonizando por mais que um pedaço de pão.

Os demônios dançando no portão.
E a cada mentira nova na televisão.
Deleitam-se com a revolução.
De quem não entende o significado da palavra perdão.

Mas estamos todos felizes
Pois todos os homens são capazes
De fechar os olhos com os cartazes
E de aplaudirem as realidades produzidas nessas telas ricas em cores...


Autor:Alberto Correa de Matos 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Sereia.


Quero que os meus pesadelos.
Sejam desencantados.
Por esses olhos sufocados.
Que me resgatam alem de todos esses medos.

Quero receber sem juros.
Seus enigmas e mistérios.
Encontrar-me as margens dos teus encantos.
Dividindo com você a travessia desses sonhos.

Quero tocar harpa com seus cabelos.
Transportar-me pra outros planos.
Banhar-me com seus sorrisos.
Sem temer a vida e seus desafios.

Quero viver alem dos minutos.
Perder-me em cada um dos segundos.
E aproveitar cada um desses delírios acordados.
Onde me sinto entre o céu e os anjos.


Autor: Alberto Correa de Matos