quarta-feira, 30 de abril de 2014

Valsa para solidão.



A solidão que descreve nas linhas de minha mão.
Um futuro marcado pela desilusão.
Promessas que guardaram as discórdias da minha decisão.
Jogando as ruínas da felicidade a soberba da minha presunção.

A solidão é  uma rede, que a beira do mar.
Decifra os mistérios de um entardecer prestes a chegar.
Como se cada onda ousa-se denunciar.
Os méritos e desmandos de quem estava prestes a chegar.

A solidão que completa meu padecer.
É a dama sem flor que ao alvorecer.
Bailara pelos precipícios do meu ser.
Diante de um jardim de espelhos sem me reconhecer.

A solidão de nunca poder lhe sentir.
Afinal meus sonhos resolveram sem motivos resistir.
 Sobre uma chama prestes a se extinguir.
De um amor que o tempo esquecera antes mesmo de existir.


Autor: Alberto Correa de Matos

domingo, 20 de abril de 2014

Carta do Anoitecer



Como procuro esconder meu sentimento.
Como a noite oculta às estrelas em meu peito.
Aprisionando a realidade em cada momento.
Que a vida desmente o que é certo.

E a canção que se silencia em meu rádio.
Tem como melodia o som do vazio.
Que transborda das paredes do meu palácio.
Anunciando as angustias de quem se perdeu da Flor do Lácio.

E essas folhas que cobrem o outono.
Através da janela embalam meu sono.
Essas lembranças mergulhadas no desengano.
Entre o álbum de fotos e o café já morno.

Parto talvez com minhas angustias  ao amanhecer.
Pois minha solidão me levou a esse anoitecer.
Sem que minha alma aprende-se a maravilha de viver.
Pois perdi muito tempo fazendo de meus olhos, chover.


Autor: Alberto Correa de matos

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O velho tropeiro.



Estava sobre o fogo debruçado.
Esperando ver o resultado.
Das chamas do progresso devorando.
Sem pena o seu legado.

 As ruas frias sem estrelas pavimentadas.
Apagando as alegrias e lágrimas.
Junto do  suor de quem, não é citado nessas conquistas.
E vê se apagando no meio de tanto concreto suas lutas.

As famílias amaldiçoadas pelas hipocrisias
Que rendem as esperanças a cidade e suas demagogias
Condenando seus filhos as drogas.
Que consomem com falta de humanidade nossas lembranças.

Pai me perdoe por não repassar teus valores.
Por ser fraco e deixar apagarem nossas tradições.
Diante do progresso que rouba a identidade de nossas futuras gerações.
Pois do pó, pai que nos tirastes.
Restam hoje apenas nossas lamentações.

Autor: Alberto Correa de Matos

terça-feira, 1 de abril de 2014

Amar a liberdade.



Adormeceram todas as flores.
Sobre o travesseiro dos sonhadores.
Cobertas de geada disfarçada de desilusões.
D o destino obscuro sem um caminho ou corações.

Amanhecem no frio do sentimento.
De quem rejeitava a todo o momento.
As declarações escondidas dentro do meu peito.
Fadadas pelo tempo de meus sonhos ao esquecimento.

Ainda é cedo pra reparar nos abismos.
Que o fracasso abriu sob meus frágeis lírios.
Presto atenção no canto do coral de anjos.
Ao juntarem os restos dos meus lamentos.

Guio-me sob as asas da liberdade.
Pois por mais sublime que seja o amor de verdade.
Algumas vezes seremos apenas expectadores da saudade.
A nossa única metade.


Autor: Alberto Correa de Matos