sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Refletindo espelhos.

                                                                   
Perdido em uma sala de espelhos.
Esperando pelo vácuo dos reflexos.
Refletir minha voz nos copos.
Que caem vazios em pedaços.

Sendo solidário aos absurdos.
Dos outros prisioneiros.
Em seus cotidianos que de tão perfeitos.
Parecem novos artigos antiquados.

Desperdiçando seus sofrimentos.
Sobre pilhas e pilhas de sonhos.
Que jamais serão realizados.
Já que estão todos aprisionados.

 Me levanto e quebro ironicamente os espelhos.
Mas que ao invés de se partirem em pedaços.
Apenas refletem em grotescos fragmentos.
As dúvidas que alimentam diariamente meus pesadelos.

Sigo aceitando os reflexos.
Sigo reconstruindo outros sonhos.
Sigo rolando entre os dados.
Sigo perplexo uma multidão de desconhecidos.

Mas jamais escapo dos espelhos.
Que me aprisionaram de todos os lados.


Autor: Alberto Correa de Matos

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Petaloúda



Quando suas asas sagradas.
Surgirem partindo a escuridão das sombras.
Trazendo o sol do amanhecer sobre suas costas.
Me guie para longe das trevas.

Me conduza além dos perigos da morte.
Me protegendo de minha própria sorte.
Enquanto o mundo todo se parte.
Me eleve para além desses gritos aflitos pela noite.

Me carregue para os campos floridos.
Em que amanhecem eternos.
Os olhos dos poetas e sábios.
E as palavras que silenciam seus mistérios.

Me leve acima das ondas do mar.
Além do horizonte para libertar.
Todo o amor que deveria me encontrar.
Antes do lykófos me aprisionar.


Me eleve para onde as estrelas possam me iluminar.
Aonde eu posso como todo meu amor regar.
Toda a esperança que eu conseguir semear.
Nos corações em que eu conseguir tocar.


Autor: Alberto Correa de Matos

domingo, 19 de novembro de 2017

Hipocarfia.

                                                                          
Lembra de quando era dia.
De brindarmos com alegria.
Pelo seu coração que sem motivos sorria.
Enquanto o meu sem explicação, nos teus olhos amanhecia.

Lembrando de como a gente fugia.
Das armadilhas de quem fingia.
Que vivia.
Pisando no mundo com a mesma ousadia.
De quem a solidão nunca mais abraçaria.

Lembrança inocente
Que parte.
Para qualquer parte.
 Aonde você seja mais que um instante.
Mesmo que ainda seja distante.
Nesse meu infinito particular constante.

Lembro o quanto estive errado.
Enganado.
Todas as vezes que me perdi do seu lado.
Perdendo para o tempo indignado.
Um segundo.
 Que tivesse sido meu amor nosso último recado.


Autor: Alberto Correa de Matos.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Joio de Novembro


Quantos sorrisos desconhecidos.
Se intrometem em nossos destinos?
Continuo sem respostas entre meus passos.
E seus abraços.

Quantos olhares solitários.
Que se cruzam sem encontrarem seus prometidos?
Isolados.
Nas fantasias de seus “Jogos”.

Quantas bocas famintas de sentimentos.
Que se afastam por conselhos de terceiros?
Que se alimentam de corações destroçados.
Como lavagem jogada aos porcos.

Quantas mentiras sinceras.
Que ainda separam as pessoas?
Que se isolam umas das outras.
Pelo capricho infantil de suas escolhas.

Quantos mundos sombrios.
Que ainda escondem os brilhos de nossos olhos?
Enquanto alguns se escondem em seus medos.
Outros preferem brilhar no calor de seus sonhos.

Quantas verdades perfeitas.
Que ainda  se escondem em suas máscaras sínicas?
Enquanto o tempo nos presenteia com suas horas.
E a vida nos brinda com suas redescobertas.

Esqueça suas armadilhas e abrace suas ironias.


Autor: Alberto Correa de Matos