segunda-feira, 15 de abril de 2019

Cadeado da solidão.




A solidão.
É um cadeado sobre minha visão.
Um véu cinza de toda minha escuridão.
Que sobe de dentro do peito a cada batida do meu coração.

Limitando o filme da minha vida.
A uma eterna ciranda de palavras de despedida.
De uma emoção de amor que para mim permanece desconhecida.

Como as lembranças empoeiradas em algum porta-retratos de alguma estante.
Me sinto as vezes como se fosse transparente.
No meio de tantas luzes e da silhueta apagada de tanta gente.
Que pareço estar sempre distante.
Ausente.

Abro meu cadeado com esperança e sinto as correntes se partirem.
As flores desabrocharem.
Meus olhos novamente brilharem.
E as trevas que antes cobriam meus passos desparecerem.

Infelizmente.
Mesmo que esteja sorridente.
Carrego as cicatrizes de um amor combatente.
Que apesar de sempre desprezado ainda se reinventa e segue em frente.


Autor: Alberto Correa de Matos




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