terça-feira, 24 de setembro de 2013

Flores ciganas



São tristes as flores ciganas.
Caídas sobre uma poça enlameadas.
Junto de um coração derrotado, desbotadas.
Pelo fim que se aproxima no cair das horas.

 São Testemunhas silenciosas.
De um amor marcado pelas chagas.
De seus preconceitos e magoas.
Escondidas embaixo da cruz de prata, que guia suas incertezas.

Pobres dessas flores malditas.
Assistiram de camarote o fim de inúmeras fantasias.
Viram cair por terra todas às promessas vazias.
Como se encerrassem os capítulos do fim daqueles dias.

Triste fim pras flores frias.
Que em algum lixo jogadas jazem esquecidas.
Carregando consigo o sal de algumas lágrimas.
Entre os restos  de alguns amores  e o  fim de outras histórias.


Autor: Alberto Correa de Matos

sábado, 14 de setembro de 2013

Caminhos fechados.



Trilho caminhos.
Onde jazem sonhos.
E onde se desencontram os  destinos.

Caminhos sombrios.
De dores e nomes de heróis já esquecidos.
Que somente em seus mitos serão lembrados.
Nas lapides de seus projetos fracassados.

Sigo procurando  meus significados.
Entre as trevas dos monumentos.
E os amores em destroços.
Desses dias frios e nunca terminados.

Tenebrosos os relâmpagos.
Que iluminam meus passos.
Apenas são testemunhas desses corpos já cansados.
Agora sobre os pastos da despedida reinam absolutos e destronados.


Autor: Alberto Correa de Matos

domingo, 8 de setembro de 2013

Luzes escuras.


Às vezes as luzes não se apagam.
Quando os olhos se fecham.
E os caminhos se separam.

Às vezes se tornam estrelas.
Que vagam entre sonhos e promessas.
Sem notarem que já estão apagadas.

São carinhos e sorrisos.
Que se completam sozinhos
Sem notarem os obstáculos dos caminhos.

Corações que sozinhos.
Um dia foram amigos.
E algum dia pela vida serão unidos.

Mesmo que sem notarem as barreiras.
E secarem as lagrimas.
Um dia serão em vez de duas almas.
Um só coração dando força a duas vidas.


Autor:Alberto Correa de Matos

domingo, 1 de setembro de 2013

Desfiladeiros e Montanhas


Caminho por onde as palavras.
Não são sinceras.
Numa corda bamba sobre algumas colinas.
Procurando um destino pras minhas asas.

Sentindo o sol batendo.
E o vento me amparando.
Sobre as pedras do meu passado.
Rumando para as nuvens de algum futuro, sem medo.

Viajando sobre o pico das montanhas.
Descansando sobre suas vozes brancas.
Que cantam ao fundo dos desfiladeiros; sem castelos ou princesas.
Escondendo as cidades sem damas ou ruas.

Então atravessei o desfiladeiro sem despencar.
Somente havia o luar a me esperar.
Pois nem todos cavalheiros encontram braços onde repousar.
Assim como nem todas as noites tem estrelas a brilhar.

Autor: Alberto Correa de Matos

Amar sobre o tempo.



Gira o ponteiro do relógio.
Rodando, sem poder parar o tempo nesses passos sem direção.
Afugentados pela verdade da decepção.
Movidos pelo silencio e pela falsa discrição.
Adiantando-se a desilusão que tomou conta de seu coração.
Diante do ardor desses olhos castanhos e desinteressados.
Onde ele achava poder contar seus carinhos.

Caindo vagarosamente minhas lagrimas junto dos plátanos caídos.
Entre a razão e a emoção desses meus olhos tombados.
Mareados e mais uma vez prontamente ignorados.

Afinal terminei passivo perante a geada numa manhã, que parecia nevar.
Numa rua solitária e fatídica qualquer a me consolar.
Onde e como eu consegui-se me reencontrar.
Sabendo que me restava agora somente esperar, a dor de nunca te ter passar.

Autor: Alberto Correa de Matos

Lago Negro

Guiando-me na ternura das hortênsias.
Refazendo os caminhos percorridos de outras primaveras.
Antes que se desfaçam como a neblina que encobre a luz das estrelas.
Medindo a distancia entre o tempo e as palavras.
Antes dos anjos toparem com minhas lagrimas.
Dentro de tantos momentos naufragados, nas margens do lago negro.
Onde as águas confidenciam o fim da nossa solidão em segredo.

Como se a sutileza das borboletas entre as folhas dos pinheiros.
Encontra se com os beija flores e os casais de namorados.
Mediando a complexa modernidade de seus sonhos.

Antes de alguém me perguntar.
Na distancia presente nas lágrimas que traçam um novo cotorno em meu olhar.
Onde repousam as esperanças e a saudade que repartem seu passado?
Simplesmente digo lhes repousam perdidas num lago em Gramado.


Autor: Alberto Correa de Matos

Oração de Gramado.


Gravarei teu nome em tom de café.
Redescobrindo minha verdade nos caminhos da minha fé.
Antes que os homens tentem me julgar.
Me  cobre com seu manto branco pai e me ensine a perdoar.
As ofensas e mentiras de quem tenta me derrubar.
Diante desse coração que não consegue te encontrar.
Ou do que não quer te aceitar.

Cuida da minha saúde e seca minhas lágrimas.
Encontra pai o caminho da minha casa e leva esperança nessas palavras.
Me deixa  desfrutar da vida e de todas suas alegrias.

Antes que a idade me obrigue a partir.
Na calada da noite na serra perto da hora de subir.
Onde hoje me encontro de joelhos me pondo a orar com apenas uma certeza.
Sou só um homem, mas em você pai me transformo numa fortaleza.


Autor: Alberto Correa de Matos