quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Despedida ato III

                                                          
Espero que você um dia possa me perdoar.
 Por ter de te abandonar.
Sem dar tempo para gente brigar.
Ou de você ter uma última chance de me tocar.

Se em algum lugar.
A gente se reencontrar.
Me perdoe por ter ido sem avisar.
É que assim você não precisaria mais se desculpar.

Eu sei que você não vai conseguir acreditar.
Talvez fique alguns anos tentando me perguntar.
Por que eu deixei essa dor te alcançar.
Por que eu não estava mais lá para te segurar.

Eu espero que dessa vez você possa me perdoar.
Enquanto lá de cima a gente vai cuidando do teu caminhar.
Sempre estaremos juntos no fundo do teu olhar.
Mesmo que a gente fique tão distante para se abraçar.

Estarei perto o suficiente para te proteger.
Assim que parar de doer.
E que você me entender.
Ira parar de sofrer.


Pois eu sei que um dia você ira me esquecer.


Autor: Alberto Correa de Matos

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Despedidas ato II

                                                                               
Nos meus sonhos mais ousados.
Minhas asas são os seus braços.
Me carregando sobre a fenda dos penhascos.
Em que descansam meus pensamentos.

Minha respiração sempre tão mecânica.
Longe do seu sorriso de boneca.
Gravado nas bordas de uma caneca.
Em que meus lábios adormeciam diante da sua garganta seca.

O tempo dessas lembranças.
Ainda vai pesar sobre minhas palavras.
Toda vez que me lembrar das suas brincadeiras.
Enquanto rego o jardim do meu coração com essas lágrimas.

Só queria não lembrar.
Dos motivos que nos fizeram brigar.
Das loucuras dessa minha insegurança em te abraçar.
Enquanto deixava no seu colo o tempo me carregar.

Mesmo que as horas façam você esquecer meu nome.
Enquanto as traças da saudade que me consome.
Tentam carregar meu amor em pedaços para matar sua fome.

Jamais esquecerei desse anjo que desvendou meus mistérios.
E abraçou com fé todos meus demônios.
E na luz de sua compaixão aceitou meus defeitos.
 Enquanto dava vida as flores  que enfeitavam meus sorrisos.


Autor: Alberto Correa de Matos

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Despedidas ato I

                                                                     
Quando o orvalho que corre do meu olhar.
Congelar.
Sobre a rosa que não pude te entregar.

Quando as palavras que tive que calar.
Antes de aceitar.
Que não poderia mais te abraçar.
Aprenderem a voar.

Então terei entendido que não deveria mais acreditar.
Nas promessas que fazíamos, acreditando naquele luar.
De quando podíamos brincar de sonhar.

Engraçado como essa solidão não consegue ignorar.
Meu sofrimento de não poder te amar.
E insiste em me fazer lembrar.
De tudo de bom que você me fez encontrar.

Talvez algum dia em outra cidade.
Eu consiga conviver com essa saudade.

 Talvez deixe de doer meu fim de tarde.
Quando sobrevoar sobre meu coração aquele passarinho verde.


Que só existia quando eu podia me abrir com você.


Autor: Alberto Correa de Matos

sábado, 12 de agosto de 2017

Meu pequeno querubim


Quantas vezes.
Meus olhos colheram flores.
Das suas cicatrizes.
E te ensinaram a sentir a vida de diferentes cores.

Quantas vezes brigamos.
Contra nossos desejos.
Perdidos na ilha dos nossos abraços.
Aonde batiam juntos nossos sonhos.

Quantas lágrimas.
Escondemos em nossas gargalhadas.
Separadas pelo destino de nossas palavras.
Enigmáticas nos versos das minhas poesias.

Espero que sinta no meu olhar.
O que não posso te contar.
Toda vez que sinto o vento nos tocar.
Perto da hora de você me abandonar.

Meu pequeno querubim.
Volte a colher as flores do meu jardim.
Para afastar a mágoa que roubou você de mim.


Autor: Alberto Correa de Matos

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Guerra


Quantas batalhas ainda terei que travar.
Para me encontrar.
Com aquela paz que você carrega no olhar.
Quando vem me abraçar.

Até quando terei de enfrentar.
Todos esses leões que insistem em te incomodar.
Sem entenderem que só quero te agradar.
Para que ao menos você não precise mais chorar.

Toda noite em que a lua brilhar.
Toda estrela cadente que te procurar.
É na verdade minha saudade indo te buscar.
Para que eu possa te admirar.
  Enquanto ainda houver uma lágrima minha ao luar.

Estou farto de tanta maldade.
Desse fedor de falsidade.
Que insiste em impregnar o ar dessa cidade.
Na cara asquerosa de tantos rostos pela metade.
Que um dia fingiram se importar com minha felicidade.

 Espero que essa guerra uma hora tenha fim.
Que possamos repousar juntos sobre campos de jasmim.
Desenhando flores em nuvens com tom de marfim.
E que finalmente eu possa sentir um amor de verdade antes do fim.



Autor: Alberto Correa de Matos

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Maçã mordida.

                                                                       
No papel de pão.
Aonde eu desenhava sua mão.
Deixei um pouco do meu coração.

A deriva na solidão.

O lápis que tocou seus dedos.
Hoje machuca meus olhos.
Enquanto sangram meus sonhos.

Como a tinta do tempo que mancha nossas fotos.

Até mesmo a canção.
Que embalava nossa paixão.
Hoje é uma ferida perfumada de decepção.

Apagando sua estrela da minha constelação.

Enquanto me perco no seu silêncio.
Minhas tardes de domingo se tornam um navio.
Naufragado sobre uma mesa com o peito vazio.

Desacreditado de todo esse rumo sombrio.

Talvez eu estivesse completamente errado.
Por ter me apaixonado.
Por esse seu sorriso sempre tão leve ao meu lado.

Mas a verdade é quem sem você no meu mundo...

Sou eu quem deixou de fazer sentido.

Autor: Alberto Correa de Matos


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Te sinto no olhar.

                                                                                   
Acreditar.
Que de algum lugar.
Você possa entender que no meu olhar.
Brilha o quanto eu aprendi a te amar.

Preces.
Que carregam todos dias minhas emoções.
Como uma brisa de domingo brincando com balões.
Por cima de todos os outros olhares.
Procurando nos teus olhos por pontes.
Para ligarem nossos corações.

Viajantes.
Sem opiniões.
Agarrados ao cotidiano de suas tardes.
Frias presos fingindo serem felizes.
Coagidos a continuarem mentindo para suas decepções.

Impostores.
Em um teatro de comedias sem valores.
Sorrindo e aplaudindo suas próprias dores.
Servindo seus sentimentos no cotidiano dos tapetes.
Enquanto anestesiados sorriem para suas ilusões.

Por isso preciso tanto te abraçar.
Escapar.
De toda essa loucura que insiste em nos separar.


Autor: Alberto Correa de Matos

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Luas fantasmas.

                                          
Mágoas
São as consequências de nossas escolhas.
Professoras.
Para um coração sem grandes esperanças.

Afugentadas.
Por suas tentativas enganadas.
Frustradas.
Por verem seus sentimentos descartados como rosas roubadas.

Pisoteadas.
Por crianças em suas brincadeiras.
Maldosas.
Que cospem e sorriem sobre minhas poesias.

Desmerecidas.
Por um muro cego de pedras.
Vivas.
Que me sufocam em minhas lágrimas.

Caladas.
Para não incomodarem outras pessoas.
Seguras.
De que minhas emoções são apenas como folhas secas.

Passageiras.


 Autor: Alberto Correa de Matos

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Metáforas desiludidas


Amar.
Sem ter suas palavras para continuar.
Me obrigou a aceitar.
Que você não quer mais voltar.

Do Precipício.
Aonde minhas lágrimas correm em silêncio.
Artificio.
Que usei para manter de pé as paredes do nosso palácio.

Nessa Liberdade.
De me iludir que estou sozinho todo fim de tarde.
Acompanhado sempre por alguém me lembrando de que sinto na verdade.
Saudade.

De um Tempo.
Em que você brotava como lírios no meu campo.
Passatempo.
De quem acreditava que toda minha dor era apenas um contratempo.

Mas infelizmente.
Meu destino fez sua parte novamente.
Sorte.
Que dessa vez me deixou ainda te sentir por toda parte.




Autor: Alberto Correa de Matos 

Vadia escura.


Mentiras
Que disfarçava em suas brincadeiras.
Dissimuladas.
Como o mau hálito de suas hipocrisias.

Doentes.
Como suas definições.
Volantes.
Rodando na mão dos outros como vermes.

Distante.
Da realidade da sua vida de bordel na corte.
Fonte.
De suas desculpas para sua vigarice sem sorte.

Cega.
Como uma mendiga.
Amiga.
Dos desejos que consomem sua carne imunda de manteiga.

Violenta.
Como o destino sem rumos de toda prostituta.
Morta.
Sendo saboreada pelos ratos numa lata de lixo hipócrita.

Separada.
De sua dignidade para vestir uma máscara de safada.
Revoltada.
Por nunca ser valorizada.


Autor: Alberto Correa de Matos