sábado, 2 de novembro de 2019

Sufocado

                                                    Sufocado
Eu queria poder gritar.
Mas o vazio ao meu redor conseguiu me sufocar.
Antes mesmo que eu pudesse tentar.

Cansei de tentar me encontrar.
Em pessoas que só sabem me rotular.
Subestimar.

Essa escuridão da aceitação que nunca me deixou enxergar.
Um silêncio que dava  pra sentir a morte me tocar.
Um desespero que parece ser o único a me observar.
Enquanto a frustração pouco a pouco vinha me cobiçar.
Numa ansiedade por amar que acabou por me envenenar.

Mas tudo bem o tempo é o único amigo que pode me curar.
A solidão é a única amiga que nunca vai me julgar.
E quando for minha vez de descansar.
Tenho certeza que a morte será a única na multidão a me abraçar.

Autor: Alberto Correa de Matos

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Tempo de Aceitar.

E depois que secarem as rosas ?
Ainda seremos as mesmas vítimas.
Das mesmas mentiras que separaram nossas almas.
Ou será que as feridas dessas intrigas.
Continuarão sendo mais fortes do que nossas lembranças?

O silêncio das tuas respostas.
Tuas palavras desencontradas.
E tuas fugas repentinas.
São respostas diretas as minhas perguntas.

Sofro por te amar.
Sofro por não aceitar.
Sofro por acreditar.
Sofro por que tento te alcançar.

Mas nada disso irá mudar, tão pouco te tocar.
Minha última rosa terminou de secar.
O tempo foi quem quis com ela ficar.
E ela como todas as  outras flores resolveu me abandonar.
Me sufocar.
Silenciar.
Autor: Alberto Correa de Matos

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Piuzanato

                                                                         
Sinto que estou sangrando.
Enquanto os abutres estão me perseguindo.
Me arrasto pela estrada mas está chovendo.
E para eles não importa se estou sofrendo.
Pois logo seus estômagos estarão se fartando.
E eu continuarei fedendo.

Estou agonizando.
Enquanto o resto está vivendo.
Sou um grande fracassado.
Que vive sonhando.
Mas morre vivendo.
Sou um engodo.
Vegetando.

Sou sempre o culpado.
Sou sempre amado.
Mas nenhum sorriso se atreve a abrir o cadeado.
Pois parece que ninguém deseja estar a meu lado.
Afinal sou um desavisado.
Trouxa que vive iludido.
Acorrentado.
A uma rotina que esfrega na minha cara como sou fracassado.

Os abutres já me alcançaram.
E foram os únicos que me abraçaram.
Enquanto me devoravam.
E depois me vomitavam.
Autor: Alberto Correa de Matos

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Palavras inconvenientes

                             
As pessoas tem medo de existirem.
Mas não tem medo de te julgarem.
As pessoas tem medo de sofrerem.
Mas não tem medo de te magoarem.

As pessoas tem vergonha de sentirem.
Mas não tem receio nenhum em te desprezarem.
As pessoas não se preocupam quando te mentem.
Mas quando escutam sua opinião se ofendem.

As pessoas amam o que desejam.
Mas não valorizam o que ganham.
As pessoas apenas te suportam.
Por que as outras não as escutam.
De fato não se importam.

As pessoas e suas verdades estão sempre certas.
Afinal o ódio delas.
São lutas por melhorias.
Melhorias convenientes somente para suas vidas vazias.

Autor: Alberto Correa de Matos

sábado, 27 de julho de 2019

Rochedos.

                                                       
Seguro a areia do tempo.
Que escorre dos meus dedos para um copo.

Enquanto admiro o mar lutando contra os rochedos.
Acompanhado por meus sonhos.
Tímidos e calados.
Sentindo o vento desarrumando meus cabelos.
Vivos e negros.

Sinto o mar molhando meus olhos.
O frio me tomando os sentidos.
Enquanto adormecemos sozinhos.
Cansados.

Sozinhos eu e meus sonhos.
Acordamos isolados.
Diante desse oceano de sorrisos mentirosos.
Torcendo que um dia a felicidade nos alcance aqui nos rochedos.

Autor: Alberto Corrêa de Matos

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Mentira lírica


Um final poético.
Para um coração patético.
É um beijo sínico.
Em um abraço solto e opaco.

Um amor cinzento.
Desacreditado.
Por um olhar seco e desbotado.
Em frente a um outro marejado.

Uma pessoa que sentia sozinha.
Uma outra pessoa que não tinha. 
Uma pessoa que tinha.
Uma outra pessoa que se iludiu sozinha.

Uma pessoa que não amava.
Apenas pisava e rejeitava.
Sobre  os sentimentos de uma pessoa que a admirava.
Por que simplesmente não se importava.
Com aquele coração que por ela chorava.

Autor: Alberto Corrêa de Matos

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Cadeado da solidão.




A solidão.
É um cadeado sobre minha visão.
Um véu cinza de toda minha escuridão.
Que sobe de dentro do peito a cada batida do meu coração.

Limitando o filme da minha vida.
A uma eterna ciranda de palavras de despedida.
De uma emoção de amor que para mim permanece desconhecida.

Como as lembranças empoeiradas em algum porta-retratos de alguma estante.
Me sinto as vezes como se fosse transparente.
No meio de tantas luzes e da silhueta apagada de tanta gente.
Que pareço estar sempre distante.
Ausente.

Abro meu cadeado com esperança e sinto as correntes se partirem.
As flores desabrocharem.
Meus olhos novamente brilharem.
E as trevas que antes cobriam meus passos desparecerem.

Infelizmente.
Mesmo que esteja sorridente.
Carrego as cicatrizes de um amor combatente.
Que apesar de sempre desprezado ainda se reinventa e segue em frente.


Autor: Alberto Correa de Matos




terça-feira, 9 de abril de 2019

A mil milhas de desolação.



Mais uma vez a solidão.
Me devora com sua imensidão.
Sufocando as poucas alegrias que resistiam em meu coração.

Suas ondas de desolação.
São um poema de destruição.
Varrendo as praias da minha dedicação.

Sua mare de escuridão.
Me afastou do carinho da sua mão.
Roubando o seu último sorriso, do que ainda restava da minha visão.


Recordação.
Da primavera que você se tornou na minha evolução.
Diante da vida e toda essas faces estranhas na multidão.

Mas infelizmente voltei a mergulhar na solidão.
Sem forças para mudar o resultado dessa situação.
Apenas posso observar calado outros ocuparem seu coração.
Enquanto essa correnteza me leva em outra direção.
Pra longe do brilho dos seus olhos a mil milhas submarinas de desolação.

Autor: Alberto Correa de Matos

terça-feira, 19 de março de 2019

Anjo sem asas




Mesmo que tenham cortado minhas asas.
Ainda não venceram minhas forças.
Mesmo que eu silencie minhas lágrimas.
Ainda guardarei comigo minhas esperanças.
Para sobreviver essas mágoas que me sufocam todos os dias.

Mesmo que criem mais barreiras.
E apaguem minhas palavras.
Jamais me curvarão a suas hipocrisias.
Pois minhas virtudes não são compradas com moedas.
Nem com as fantasias de suas revistas.

Mesmo que todos gritem.
Tentando encerrar minha coragem.
Em uma miragem.
Esqueceram que não tenho imagem?
E que a dor de suas maldades, encontram em meu coração uma antiga hospedagem.


Mesmo que me matem.
Mesmo que me neguem.
Mesmo que me calem.
Mesmo que me apaguem.
Minha alma é tudo o que vocês temem.

Jamais fui amado.
Nunca fui admirado.
Tão pouco respeitado.
Mas sempre estive ao lado.
Daqueles que eu realmente havia amado.


Autor: Alberto Correa de Matos

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Desabafo.





Sempre sou eu contra o mundo.
Incompreendido.
Sempre errado.
Sempre ignorado.

Sempre sou esquecido.
Descartado.
Sempre a sombra do lado.
Proibido de ser tocado.
Sempre sendo oprimido e sufocado.


Sempre estou perdido.
Apagado.
Por nunca ter aceitado.
Que merecia tudo pelo que havia chorado e sofrido.

Sempre estarei errado.
Por ter me preocupado.
Por ter sentido.
Existido.


Talvez eu devesse ter desaparecido.
Desbotado.
Como as cores das últimas primaveras que já haviam partido.
Desistido.



Autor: Alberto Correa de Matos


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Flores e folhas secas .


Flores e folhas secas .

As folhas secas.
São tão belas.
Quanto as flores coloridas.
Apenas não possuem o mesmo doce aroma das primaveras.

Ambas fazem parte de nossas vidas.
Porem as flores adornam janelas.
Já as folhas secas sujam as calçadas.
Com flores brindamos as alegrias.
Com Folhas secas enterramos nossas despedidas.

Para as flores: músicas e poemas.
Para as folhas secas: lutos e lágrimas.
Desdenhamos das folhas secas.
Mas esquecemos que são delas.
Que saem o alimento das raízes que tornam as flores tão coloridas.

Flores combinam com casamentos.
Folhas secas com amores platônicos.
Mas todas elas tornam meus versos.
Suaves e melancólicos.
Numa corda bamba entre sonhos e desejos.
Sejam eles inocentes e concretos.
Ou deprimentes e esquizofrênicos.

Mas enquanto admiro as flores pelo caminho.
Meu olhar transborda de folhas secas…sempre sozinho.


Autor: Alberto Correa de Matos

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estou aqui e você ?




Já abracei palavras.
Confusas.
Que vagavam desencontradas.
Por ruas e encruzilhadas.

Já afaguei promessas.
Mentiras.
Que se escondiam envergonhadas.
Debaixo de lábios, regados por lágrimas.

Já toquei alianças.
Enferrujadas.
Que já não guardavam mais belas lembranças.
Mas o que havia restado de antigas e novas despedidas.


Já curei pessoas.
Peçonhentas.
Que só precisavam ser compreendidas, amadas.
Mas jamais encontrei com um sorriso, que realmente aceita-se as minhas rosas.


Autor: Alberto Correa de Matos